Compliance e a prevenção de assédios no set de filmagem
O set de filmagem é um ambiente de trabalho coletivo, intenso e altamente hierarquizado. Direção, produção, elenco e equipes técnicas operam sob pressão de tempo e orçamento, o que pode gerar situações de vulnerabilidade, especialmente quando não existem protocolos claros de conduta.
Nos últimos anos, o debate sobre compliance e prevenção de assédio ganhou força na indústria audiovisual global, impulsionado por denúncias públicas e movimentos como o #MeToo, que expuseram práticas abusivas historicamente naturalizadas no setor.
O que é compliance no audiovisual?
No contexto do cinema e do audiovisual, compliance refere-se ao conjunto de normas, práticas e políticas que garantem um ambiente de trabalho seguro, ético e respeitoso. O compliance funciona como uma cultura organizacional que orienta comportamentos e decisões durante toda a produção. As grandes produções brasileiras estão começando a dar atenção a isso, principalmente com a contratação de empresas especializadas em Recursos Humanos (RH) e mediação de conflitos para sets de filmagem.
Em produções de baixo orçamento, como curtas-metragens, essas ações são ainda mais importantes, pois muitas vezes não há setores formais de RH. Mesmo em produções menores, é possível implementar medidas de prevenção, como:
- Definição clara de funções e hierarquias
- Código de conduta para todos os profissionais
- Prevenção de assédio moral, sexual e discriminação
- Criação de canais seguros de denúncia
- Procedimentos para apuração de conflitos
- Garantia de segurança física e emocional no set
- Apresentação de regras de convivência no início da filmagem
- Comunicação clara entre equipes
- Respeito a horários e limites de jornada
- Criação de ambiente aberto para escuta
- Presença de responsáveis por mediação de conflitos
A dinâmica do set pode favorecer abusos quando não há controle adequado. Alguns fatores de risco incluem relações hierárquicas, jornadas longas e desgaste físico, pressão por resultados rápidos, situações de exposição emocional e ambientes informais que confundem limites profissionais.
Sem protocolos claros, práticas inadequadas podem ser naturalizadas como “parte do processo criativo”, o que não é verdade. É preciso ter limites transparentes para que ações muitas vezes vistas como banais resultem em casos de assédio ou violência.
